Mulher negra vegana e ecossocialista é co-candidata a vereadora de São Paulo! : Nanda Cury Frugívora Vegana

Lugar de mulher negra, vegana e ecossocialista pode ser na Câmara Municipal de São Paulo

Nanda Cury

Vegana desde 2012 e frugívora desde 2017, compartilha dicas diárias sobre alimentaçao natural e veganismo em suas redes sociais. Autora de quatro livros de receitas crudívoras, conduz consultorias, cursos de culinária natural e mentorias online, em parceria com a nutricionista vegana Paula Fittipaldi. Bacharel em Relações Internacionais, especialista em Marketing Digital, criou o Blog das Cabeludas, Crespas e Cacheadas (2008) e é uma das idealizadoras da Marcha do Orgulho Crespo (2015), iniciativas com o objetivo de incentivar mulheres a aceitarem seu cabelo natural. Hoje, o seu foco de atuação é inspirar as pessoas a comerem mais frutas e vegetais e a experimentarem uma vida mais ecológica e consciente. Acredita que o autocuidado é o primeiro passo para vivermos uma vida mais saudável, equilibrada e abundante em todos os aspectos. E que é necessário estarmos bem para transformarmos o mundo.

11 de novembro de 2020

Já imaginou conectar o veganismo com o feminismo e a luta antirracista levando mais representatividade para a política? Pensando na proximidade das Eleições Municipais, convidei a Natália Chaves, cocandidata da Bancada Feminista do PSOL para falar sobre o projeto coletivo que quer transformar a cidade de São Paulo, chamado Bancada Feminista do PSOL.

“Olá! Sou dessa geração que conseguiu entrar na universidade graças a programas do governo federal (no meu caso, o ProUni), abrindo uma nova fase na história de nossas famílias, a quem sempre foi mais negado o direito do estudo continuado, ou apenas do ensino básico mesmo.
Sempre estudei em escola pública, então desde cedo vi muitos colegas meus começarem a trabalhar e, mesmo depois de vários cursos, sejam eles livres ou superiores, se verem sem perspectiva de carreira ou mesmo um emprego que ajude a pagar as contas.

Pra quem consegue emprego, como eu, temos que enfrentar horas e horas no transporte público já que a lógica de São Paulo é priorizar a estrutura no centro: tanto o Centro como espaço geográfico quanto os centros financeiros (Faria Lima, por exemplo).

Tempo pra estudar mais, praticar atividades físicas, se divertir, estar no ócio… não temos. E a sociedade nos diz que devemos dar-nos por satisfeitas porque temos um emprego. Será que só isso compõe a dignidade do ser humano?

Acredito que não, principalmente quando pensamos na desigualdade existente em São Paulo. Ela desmascarou a ideia de que a pandemia do coronavírus poderia ser democrática: negros se infectam e morrem mais, negros ficam mais desempregados, negros morrem mais pela violência policial, mulheres negras sofrem mais violência doméstica e morrem mais de feminicídio…
Recentemente fiz um vídeo contando sobre o processo de me descobrir negra.


Acredito que, para combater essa desigualdade, também é preciso que digamos em alto e bom som que não somos moreninhas ou pardas. Somos NEGRAS e carregamos dentro de nós a força de Zumbi e Dandara, a força de Marielle Franco, a força de Lélia Gonzalez. É a partir do resgate dessa força, do reconhecimento da força que nós mesmas construímos em nossas múltiplas vivências, que seguimos rompendo barreiras, derrubando os muros que colocam como empecilhos pra que a gente construa a sociedade do BEM VIVER.

E o que eu faço para contribuir com esse projeto de transformação?
Em 2018, depois de ir às ruas lutar pelo #EleNão e virar voto, me aproximei de um coletivo ecossocialista e libertário chamado Subverta, que constrói o PSOL. Nossa estratégia é o ecossocialismo porque não há futuro em uma sociedade que destrói ares, terra, água, que queima nossos biomas, que explora animais humanos e não humanos; se continuarmos assim, nosso futuro será a extinção. Precisamos que todes tenham as mesmas oportunidades, que nossa existência seja em função da vida e não do lucro, que recuperemos nossa harmonia com a natureza a nossa volta, que tenhamos e produzamos apenas o necessário para uma vida digna e feliz.
Algumas coisas que ajudei a construir nesse meio tempo foram: ajudar a organizar e mediar um grupo de estudos sobre a Lélia Gonzalez, contribuir na coordenação da Setorial Ecossocialista do PSOL, traduzir artigos para a revista Jacobin Brasil, construir movimentos de trabalhadores e coletivos veganos, ajudar a organizar banquinhas para conversar sobre política com as pessoas na rua, dar formações sobre antirracismo, dentre as várias tarefas invisíveis que levam à concretização desses projetos. Minhas vivências, minha dedicação e meu esforço me dão a força e a vontade de dar tudo de mim para aprender e ensinar cada dia mais, estar ao serviço de um projeto maior que eu, ocupar o lugar que vai abrir espaço para mais e mais pessoas.

Minha mais recente tarefa é mais um processo coletivo de dar orgulho: a Bancada Feminista do PSOL! As eleições e mandatos não bastam, e sabemos disso. Mas eles são um instrumento importante para que sejamos representadas, cobremos das autoridades e nos façamos ouvir. Por isso que aceitei essa tarefa de estar ao lado de Carolina Iara, Dafne Sena, Paula Nunes e Silvia Ferraro, construindo uma candidatura coletiva para trazer novos ares à cidade de São Paulo.
Política se faz ouvindo quem está embaixo, com representantes que também sejam de baixo. Somos cinco mulheres de realidades diferentes, mas nossos corpos precisam enfrentar o machismo, a misoginia, o racismo, a transfobia, as dores e amores de ser mãe, a desvalorização de professores, o neoliberalismo que retira nossos direitos e destrói a passos largos a natureza, a criminalização de nossa cultura… Essas são as nossas lutas e é isso que nos move para enfrentar nossos inimigos e abrir espaço para construirmos uma São Paulo melhor.
E aí, quer vir com a gente? Nossa coletividade só se potencializa e multiplica quando vocês se juntam a nós. Assim como eu me aproximei da política nas eleições de 2018, espero que estas eleições de 2020 sejam o ponto de partida ou fortalecimento de uma linda e coletiva jornada para todes nós!
P.S.: não poderia deixar de falar sobre minha relação com meu cabelo nesse blog, né? Não precisei passar por transição capilar, mas antes eu não sabia cuidar do meu cabelo e ele vivia sempre preso, e não refletia quem eu realmente era, o que me abalava minha autoestima. Esse movimento do qual o Blog das Cabeludas foi um dos pioneiros, de mostrar que não precisamos fazer uma escova para ir a uma festa, que há tantas possibilidades para quem tem cabelo cacheado e crespo, foi revolucionário. Com o tempo, eu fui soltando ele em alguns momentos, mas no começo eu tinha muita vergonha. Aos poucos fui me tornando amiga dele e agora isso não é mais tabu na minha vida. Que a gente sempre se lembre que não devemos ter vergonha de nada na nossa aparência, muito menos de algo tão potente como o nosso cabelo ♥

Se quiser saber mais sobre minha transição ao veganismo, veja esse outro vídeo:

 

Ver essa foto no Instagram

 

Hoje, 1º de novembro, é o Dia Mundial do Veganismo! Sou vegana há 1 ano e 8 meses e, nesse vídeo, eu conto como foi minha transição da carne pro vegetarianismo, e daí pro veganismo. Já fiz um texto sobre os motivos políticos, mas o vídeo conta mais de como foi adaptar a rotina 🙂 Spoiler: tudo é mais fácil quando você percebe que não há a necessidade de explorar animais para ser feliz 🙂 Seguimos na luta por um veganismo popular, que reconheça que não é questão de termos mais “opções veganas” no mercado: é questão de mudarmos um sistema que precisa necessariamente explorar animais humanos e não humanos para seus lucros e projeto de destruição.

Uma publicação compartilhada por Natalia Chaves #50900 (@eunatchaves) em


e leia meu relato no Medium.

Se quiser me acompanhar nas redes sociais, sou @eunatchaves no Instagram, Facebook e Twitter 😊
Acompanhem a @bancadafeministapsol no Instagram e Facebook, acesse nosso site e nos ajude na campanha financeira!”

Gostaram da proposta da Nat e de saber sobre a candidatura da Bancada Feminista para a vereança da cidade de São Paulo? Eu amei e convido vocês a conhecerem o trabalho incrível da Bancada e das demais co-candidatas que compõe essa candidatura coletiva. Confiram nos destaques do meu Instagram algumas razões pelas quais recomendo a Bancada Feminista!

Por fim, acredito que para transformar radicalmente a política, precisamos de candidatas comprometidas com a luta antirracista.

Se você se identificou com o relato da Nat e com as propostas da Bancada Feminista, converse com os seus amigos, familiares e vizinhos e nos ajude a eleger essas cinco mulheres que querem construir uma São Paulo melhor!

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