Crespo ou cacheado? | Nanda Cury : Nanda Cury

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Crespo ou cacheado?

Nanda Cury

Criou o Blog das Cabeludas, Crespas e Cacheadas (2008) e é uma das idealizadoras da Marcha do Orgulho Crespo (2015). Ambas iniciativas tem objetivo de empoderar mulheres a aceitarem seu cabelo natural. É bacharel em Relações Internacionais, Vegana e especialista em Marketing Digital.

Saturday March 26th, 2016

Existe uma diferença na maneira como cabelo crespo e cacheado eles são percebidos na sociedade. Isso porque o cabelo com cachos definidos é socialmente mais aceito e representado que o cabelo mais crespo, com texturas 4, por exemplo.

Na montagem acima mostro como consigo usar o cabelo das duas maneiras, mas há vários outros exemplos de que isso também é possível em cabelos com texturas mais crespas, como o da Angela Davis, intelectual negra e ativista social:

Angela-Davis-Crespa-Cacheada

 

Recentemente houve uma discussão sobre a falta de representatividade do cabelo crespo, com base em uma matéria de capa, publicada pela Revista da Folha. Apesar do título ser “Na Onda do Crespo” a revista optou por uma modelo com cabelo ondulado para estampar a capa da matéria, na versão impressa. Além disso, a postura rasa de associar o empoderamento do cabelo crespo ao conceito de “onda”, que remete à moda, desconsidera o fato que não estamos vivendo uma tendência e sim um processo de construção e de resgate da nossa identidade afro-brasileira:

Capa da FOLHA -SP sobre cabelos crespos(???)

Publicado por Desenrolando em Domingo, 6 de março de 2016

No meu caso, sempre soube que meu cabelo é crespo e só recentemente aprendi a usar produtos para definir cachos.  Logo que resolvi assumir o volume do cabelo e usá-lo solto, o cabeleireiro fez um corte conhecido no Brasil como “black power”, em referência ao movimento negro pelos direitos civis, pelo qual ativistas como a Angela e outras ganharam notoriedade.

À época dessa mudança no meu visual, havia poucas opções de produtos para estilizar o  crespo: era basicamente gel e mousse e uns sprays, que nunca funcionaram pra mim. A mousse era sempre muito suave e não segurava nada do volume e o gel deixava meu cabelo realmente duro, sendo que de duro já bastava o apelido infame.

Ao assumir o volume, o frizz veio junto, de brinde. Como eu trabalhava com atendimento ao público, isso me ajudou muito a não ligar para as críticas, já que naquela época, em 2008, quase não havia crespas por aí e as pessoas realmente se chocavam ao ver meu cabelo com muito volume e sem definição de cachos. A foto abaixo, tirada durante uma apresentação que fiz com a minha banda, mostra um pouco como meu cabelo tinha bem mais volume antes de eu começar a tingir.

X So Pretty @ Livraria Cultura Mkt Place (janeiro de 2010 – 1º Festival Sampa Sons)

Publicado por X So Pretty em Terça, 24 de abril de 2012

As pessoas estranharam a mudança quando comecei a usar ativador de cachos. Algumas perguntavam se eu tinha feito alguma hidratação milagrosa, outras diziam preferir o crespo e mais volume e a maioria achava que eu tinha cortado o cabelo (isso acontece até hoje quando lavo o cabelo).

Foi o Charles, meu cabeleireiro, que me ensinou a estilizar os cachos, com produtos específicos. Entendi que as múltiplas texturas do meu cabelo (partes mais lisas, e outras mais crespas) fazem dele único e também versátil. Hoje, gosto do meu cabelo das duas maneiras (com e sem definição) e procuro variar, conforme a ocasião.

A dica que deixo aqui para quem está conhecendo sua textura capilar agora é: experimente conhecer seu cabelo com mais e menos definição. Invente penteados, maneiras diferentes de finalizar, nem que seja só para ficar dentro de casa e se olhar no espelho. Descobrir a versatilidade e as possibilidades do crespo é uma das maiores liberdades que você pode experimentar.

nanda-cury-carolina-cury

Foto Carolina Cury Produção Ana Naja

 

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