CURLFEST 2017: Cabelos crespos, saúde e produtos naturais : Nanda Cury

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CURLFEST 2017: Cabelos crespos, saúde e produtos naturais

Semayat Oliveira

Jornalista, co-fundadora do "Nós, Mulheres da Periferia", correspondente internacional da Marcha do Orgulho Crespo e do Blog das Cabeludas em Nova York.

19 de julho de 2017

Frequentadoras do CURLFEST 2017 contam por que optar por produtos naturais.

“Amei o seu cabelo”. “Nunca alise seu cabelo, por favor, continue assim”. “Como você é bonita assim, natural”. Caminhar pelas ruas de Nova York, nos Estados Unidos, com o seu cabelo crespo pode gerar reações como essas, normalmente vindas de pessoas negras. Além da real admiração, é como se fosse um reforço para que você não se renda as químicas e as várias opções de cabelos à venda em cada loja de esquina: liso, longo, curto, para aplique ou perucas.

Segundo análise da organização norte-americana EWG’s Skin Deep, que disponibiliza informações sobre a composição química de produtos cosméticos e avalia os riscos á saúde, um em cada 12 produtos direcionados para mulheres negras são classificados como altamente perigosos. Entre as consequências mapeadas estão: câncer, disfunção hormonal, alergias e danos ao sistema reprodutivo. Relaxantes capilares estão entre os itens mais nocivos.

No último sábado (15), o bairro do Brooklyn (NY) recebeu CURLFEST, maior festival de celebração dos cabelos naturais do país. E entre as atrações, estavam uma série de marcas que vendem produtos com ingredientes naturais, que prometem proteger os fios crespos e não agredi-los. Além da possibilidade de compra, quem estava presente pôde trocar experiência sobre como cuidar de seus cabelos de uma forma caseira.

Juliana Luna, influenciadora digital brasileira e editora da revista AzMina, participou do festival pela primeira vez. Para ela, ser natural é estar conectada com sua ancestralidade e identidade. Portanto, optar por produtos orgânicos significa compreender que a população negra não vem de um lugar baseado em consumo desregrado e que é possível seguir outro caminho. O que ela escolheu foi estar atenta aos ingredientes dos produtos e fazer suas misturas por conta própria.

Juliana Luna, no CURLFEST 2017

“Nós viramos um target de mercado e, muitas vezes, não entendemos que esses produtos têm petróleo, minerais pesados e coisas que danificam nosso corpo e o meio ambiente. Nos dias de hoje, considero muito importante assumir essa responsabilidade sobre o que consumimos”, explicou Luna.

Victory Jones, uma das criadoras do projeto The Colored Girls, que aborda a beleza a partir de uma perspectiva de raça, passou pela fase do relaxamento, transição capilar, usou seu cabelo black power e, agora, decidiu raspar completamente a cabeça. “É o melhor corte de cabelo, não sei se vou deixar crescer novamente”, brincou. Até chegar ao atual estilo, reforçou que optar por produtos naturais foi essencial.

“Tenho muitas alergias, então muitas vezes eu fiz eu meu próprio condicionador ou optava por uma das marcas que estão aqui hoje. Meu corpo reagia negativamente quando usava algo não natural. Cuidar do seu cabelo é uma forma de amor e cuidado próprio. Se você cuida do seu cabelo, cuida da sua saúde”, concluiu Jones.

Entre as marcas presentes no evento estavam Shea Moisture, Creme of Nature, Mielle Organics e outras. Os preços desses produtos são variados. Nas farmácias de Nova York o custo inicial médio é de 7 dólares. Muitas das entrevistadas relataram que consomem essas linhas, mas também compram seus ingredientes separados e fazem sua própria mistura, com, por exemplo óleo de Coco, de Argan e Aloe Vera. Água de rosas também foi bastante citado, além de uma concordância em: sinta o que o seu cabelo precisa.

Lex, professora de Yoga, disse que costuma prestar atenção no que coloca no seu corpo, por dentro e por fora, e checa a composição dos produtos, mas que não foi fácil chegar nesse nível de cuidado. “Assim que parei de usar química quis voltar logo nos primeiros meses. Agora eu já entendi que não há outro caminho: eu devo ser como sou e cuidar do meu copo da forma mais natural possível”, concluiu.

E ser natural não significa se limitar ou não explorar as possibilidades de penteados e estilos. Muito pelo contrário. O festival inteiro foi um desfile de ousadia e opções para quem usa o cabelo natural, até mesmo usando apliques capilares por um tempo. Por que não? Não há problemas em usufruir dos recursos disponíveis de beleza, mas sim em acreditar que ser bonita é o oposto do natural.

É como disse Eliane Ayala, modelo plus size que relatou ter se apaixonado por seus cachos naturais após resolver aceita-los e, em consequência, também passou a amar seu corpo.

“Não há uma definição para a beleza. Beleza é o que você considera ser belo, não o que a sociedade diz ser”.

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