Cachos com cosméticos naturais, orgânicos e veganos : Nanda Cury

De volta aos cachos com cosméticos naturais, orgânicos e veganos

Nanda Cury

Criou o Blog das Cabeludas, Crespas e Cacheadas (2008) e é uma das idealizadoras da Marcha do Orgulho Crespo (2015). Ambas iniciativas tem objetivo de empoderar mulheres a aceitarem seu cabelo natural. É bacharel em Relações Internacionais, Vegana e especialista em Marketing Digital.

19 de agosto de 2016

A busca por cosméticos veganos (livres de testes em animais e de ingredientes de origem animal) estimulou a jornalista, blogueira e escritora Nyle Ferrari, de 23 anos, a iniciar uma pesquisa profunda sobre cosméticos naturais e seguros, que não oferecem riscos para a saúde. Ao longo dos últimos anos ela se debruçou sobre o tema, pesquisou informações de fontes confiáveis e traduziu esse conteúdo em uma linguagem acessível. O resultado é o livro digital “Beleza Tóxica – saiba o que está por trás do seu cosmético” , que pode ser baixado de graça.Livro digital de Nyle Ferrari ensina a identificar ingredientes nocivos paa a saúde comumente presentes nos cosméticos tradicionais

A publicação tem o objetivo de conscientizar o maior número de pessoas sobre a presença de ingredientes prejudiciais para a saúde em cosméticos que usamos diariamente e que presumimos que são seguros.

Confiram o nosso bate-papo sobre cosméticos naturais e orgânicos, veganismo e transição capilar: 

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Nyle Ferrari: jornalista, blogueira e autora do livro “Beleza Tóxica – saiba o que está por trás do seu cosmético”.

BELEZA NATURAL

 

Há quanto tempo você é adepta dos cosméticos naturais e porque começou a escrever sobre o tema?
Sou adepta dos cosméticos orgânicos e naturais há três anos. Naquela época, pesquisando muito sobre produtos não testados em animais, acabei descobrindo blogs que diziam que ingredientes usados em produtos de beleza convencionais podem trazer riscos para a saúde – desde simples alergias até câncer. Desconfiada e surpresa, decidi me aprofundar nisso e conheci o trabalho de organizações americanas como Campanha por Cosméticos Seguros e Grupo de Trabalho Ambiental, que se dedicam a alertar os consumidores sobre o perigo por trás dos rótulos, com base em estudos respeitados. Então, me perguntei: estamos usando dezenas de químicas tóxicas todos os dias, por que ninguém está falando sobre isso? A partir daí, passei a questionar o que eu usava na minha pele e nos meus cabelos todos os dias e, desde então, através deste blog e do meu trabalho como jornalista, eu me dedico a estimular que outras pessoas façam o mesmo.

Quais os principais ingredientes nocivos comumente encontrados nos cosméticos industrializados?
Parabenos, sulfatos, derivados de petróleo, talco, fragrâncias sintéticas, silicones e liberadores de formol são alguns dos ingredientes encontrados nos produtos de beleza comuns. Eles podem trazer desde alergias até interferir nos nossos hormônios e facilitar o surgimento de tumores, que podem resultar em câncer. Para quem quiser se aprofundar, meu livro traz muitas dessas informações numa linguagem super fácil.

Como você enxerga o silêncio da grande mídia sobre a toxidade dos cosméticos industrializados?
Eu não acho que existe um silênico completo sobre o tema, pois o perigo de ingredientes encontrados em produtos do dia a dia já virou pauta de grandes veículos como Folha de S.Paulo, BBC e G1, mas isso ainda acontece de maneira bastante pontual. Não é um assunto de destaque. Nós temos personalidades que defendem a alimentação saudável, como Bela Gil e Paulo Zulu, mas certamente você terá dificuldade de se lembrar de pessoas famosas que levantam a bandeira dos cosméticos conscientes e recebem um espaço considerável na TV ou em grandes veículos para falar sobre o tema. Isso ainda está fora da nossa realidade.

Quando se trata de cosméticos orgânicos e substâncias nocivas encontradas em produtos de beleza e a mídia, acredito que podemos falar em falta de interesse pelo tema. E também existe o famoso conflito de interesses. Até que ponto os canais, que ganham uma nota com anúncios de conglomerados como Unilever e P&G, estão dispostos a falar sobre o perigo de ingredientes que essas marcas usam?

Quais as suas marcas de maquiagem veganas e orgânicas favoritas?
Alva e Bioart são excelentes. A primeira é alemã e uma das pioneiras no Brasil, já a segunda é totalmente brasileira e tem feito um sucesso estrondoso. Destaco também o BB Cream da marca Cativa, que é o meu preferido e também a marca Dona Organica, que não é 100% vegana, mas oferece makes sensacionais, a maioria sem ingredientes de origem animal e com preços que se comparam a empresas como Natura e Boticário.

Falei no snap que indicaria algumas das marcas de maquiagem naturais e orgânicas que eu uso, então lá vai. Mas antes, queria esclarecer que usar maquiagem mais segura é importante porque os batons tradicionais podem conter chumbo, mesmo o de marcas renomadas, e os demais produtos de maquiagem estão cheias de químicas perigosas como parabenos, que podem penetrar na pele e estão associadas a alergias, distúrbios hormonais e até câncer. Posto isso, vamos lá: O BB Cream é da @cativanatureza. Já estou no terceiro tubo! Ele é feito com ingredientes orgânicos e ajuda no combate ao envelhecimento, além de ter filtro 30. A @bioart tem uma linha completa de maquiagem à base de argila e outros minerais, voltada principalmente para pessoas alérgicas. O blush e o corretivo iluminador são meus produtos preferidos. Eles oferecem opções para peles negras! Já a @alvabrasil é uma marca alemã que está entre as primeiras do Brasil a entrar nesse mercado. Também traz uma linha de maquiagem bem completa. Amo os batons 🙂 A Organela chegou recentemente no mercado, ainda nem está disponível para a venda. Mas o rímel que recebi para teste foi o único natural que eu tentei e gostei até agora. Temos um milagre! A @artedosaromas lançou recentemente uma linha de batons orgânicos que hoje são os mais acessíveis do mercado. O acambamento é mate. <3 Um bônus é a marca @alimapure, de maquiagens minerais. Não vende no Brasil, infelizmente, mas os produtos são incríveis. Dá pra importar pelo site deles! De pincéis, por ser vegana, uso apenas os de cerdas sintéticas. Duas marcas excelentes são Everyday Minerals e Eco Tools. Muito macios <3

Uma foto publicada por Nyle Ferrari (@nyleferrari) em

 

Qual é a sua rotina essencial de beleza?
Não tem muito segredo: lavar, tonificar e hidratar. Todos os dias, higienizo o rosto com um sabonete líquido suave. Depois dele, aplico um tônico facial, que ajuda a equilibrar a pele e prepará-la para receber a hidratação. Por fim, uso creme no rosto, na área dos olhos e no pescoço, além de aplicar alguns produtos para secar espinhas e cravos intrusos. Óleo essencial de tea tree é algo que não falta para mim, pois é um excelente bactericida, ajuda a combater a inflamação e a oleosidade. Com auxílio de um cotonete, aplique um pouco dele em cima das espinhas: é tiro e queda.

 

DE VOLTA AOS CACHOS

Como foi a transição capilar e com que idade você começou a alisar o cabelo?
Eu comecei a usar escova e chapinha por volta dos meus 13 anos. Aos 17, me rendi à progressiva e só fui abandoná-la aos 19. Minha transição foi difícil no começo, porque meus fios estavam destruídos por conta do alisamento e das descolorações que eu fazia. Quando deixamos de lado os produtos cheios de derivados de petróleo e outros ingredientes que “maquiam” o fio, só aí temos noção do estado em que se encontra nosso cabelo. Ao mesmo tempo que isso me deixou triste, me estimulou ainda mais a querer abandonar todas essas químicas e encorajar outras mulheres a fazerem o mesmo. Passado o período mais crítico da transição, aqueles primeiros meses, foi tranquilo e, com ajuda de cosméticos orgânicos incríveis, meu cabelo se recuperou e hoje está saudável.
Nyle Ferrari

Por que você decidiu alisar o cabelo e o que te motivou a assumir o cabelo cacheado?
Quem me vê hoje, tão segura em relação aos meus cabelos, dificilmente imagina que por mais de 10 anos eu o neguei e me odiava como eu era. Essa aversão começou no começo da minha adolescência, quando me fizeram acreditar que se eu não tivesse cabelo liso, seria rejeitada, e de fato eu fui enquanto me opus à chapinha e às progressivas. Branca, privilegiada, cachos dentro do “aceitável” pela sociedade, seria ultraje dizer que meu cabelo foi motivo de humilhação. Eu nunca passei por nada do tipo, nem perto do que negras sofrem, mas num nível muito menor sofri discriminação pelos meus cachos. Ela se manifestava de inúmeras formas, algumas vezes escancarada, outras veladas. Quando era ignorada pelos garotos, quando ouvia comentários maldosos ou piadinhas sobre minha aparência, quando me diziam “você já tentou usar o cabelo liso? Ficaria mais bonita”, quando me obrigavam a alisar os cachos para ir em comemorações, porque ficaria “mais apresentável”, entre outras pérolas.

Quando entrei em contato com o feminismo e com o estilo de vida natural, usar produtos químicos para alisar meus fios deixou de fazer sentido não só porque era uma agressão imensa à minha saúde, como também porque era negar minhas origens, quem eu era, e eu não queria mais isso. Foi um processo lento de desconstrução, mas eu finalmente entendi que meus cachos eram incríveis e eu não deveria me envergonhar deles. Assumi e hoje estou aí, dando altos tapas na cara da sociedade.


Você segue as técnicas No Poo Low Poo ou cronograma capilar?
Eu não me considero praticante do No Poo e Low Poo, embora minha rotina de cuidados esteja totalmente dentro de muitas premissas da técnica. Isso porque todos os cosméticos orgânicos são obrigatoriamente livres de sulfatos, derivados de petróleos e outras químicas proibidas. Por consequência, se eu sou adepta dos cosméticos orgânicos, automaticamente essas químicas estão fora da minha vida. Eu escolhi não me considerar adepta do No Poo e Low Poo porque a técnica não me contempla ao boicotar apenas alguns tipos de ingredientes e outros não. Derivados de petróleo, sulfatos e alguns tipos de silicones são ruins para o cabelo, para a saúde e para o meio ambiente, mas eu gostaria de ver essa discussão ir mais adiante, de ver as mulheres questionando as empresas sobre outras dezenas de químicas que podem não prejudicar o cabelo, mas fazem mal para a nossa saúde e destroem o meio ambiente. Hoje eu não vejo isso acontecer e, diversas vezes que levantei essa questão em grupos de No Poo e Low Poo, fui criticada. Acho importante esclarecer que eu não estou dizendo que todas devem usar cosméticos orgânicos, porque hoje, infelizmente, esses produtos tem custo elevado. O que eu estou dizendo é que precisamos questionar as empresas e pressioná-las para que parem de envenenar nossos corpos e usar ingredientes nocivos nos produtos que usamos diariamente. Da mesma maneira que elas reformularam seus produtos com a disseminação da técnica No Poo e Low Poo, se existir demanda e pressão, poderão melhorar seus produtos e torná-los mais seguros.

Quanto ao cronograma capilar, eu não entendo quase nada e gostaria de aprender mais. Atualmente, eu vou mudando meus produtos de acordo como meu cabelo está. É na base do feeling mesmo, mas nem sempre a gente acerta né? Por isso gostaria de aprender mais.

Qual é a melhor hidratação para o seu tipo de cabelo (cacheado 2C) e com que frequência você faz?
Meu cabelo resseca e hidrata com bastante facilidade, então eu hidrato uma vez ou semana ou a cada quinze dias. Atualmente, estou hidratando meus fios com a Máscara Capilar Color Fixation da marca Surya. Aplico nos cabelos úmidos e já higienizados com shampoo, mecha por mecha, deixo 20 minutos usando uma touca de banho comum e retiro com água fria.

VEGANISMO

Qual foi a sua motivação/gatilho para se tornar vegana?
Me tornei vegana a partir do momento que compreendi os malefícios do consumo de animais e suas matérias-primas para a saúde, para o meio ambiente e para a sociedade. Minha transição foi gradual, levou cerca de 1 ano, portanto não teve um gatilho. Eu pesquisei bastante, assisti a vários documentários, como Cowspiracy e Forks Over Knives, e fui aos poucos eliminando o consumo de animais da minha vida, porque estava ciente de que era a melhor escolha.

cowspiracy-infográfico

 

Como foi sua transição para o veganismo?
Foi difícil e demorada, porque eu era viciada em queijo. Retirar todos os lácteos da minha dieta foi a pior parte, porque eles realmente estavam presentes na maioria das minhas refeições e pratos prediletos, o que não era saudável. À medida que fui diminuindo alimentos de origem animal e aumentando o consumo de vegetais, minha saúde e disposição melhoraram, e isso me estimulou a continuar. Com o passar do tempo, a minha dependência de alimentos de origem animal diminuiu até que eles se tornaram irrelevantes na minha vida.

Após adotar uma alimentação vegetariana estrita, como ficou a questão do uso de outros produtos de origem animal, como couro, lã que foram adquiridos antes de você se tornar vegana?
Em se tratando de roupa, muitas peças eu mantive e uma parte eu doei assim que comprei ou recebi de presente versões veganas, e ainda estou nessa substituição. Eu me esforço para substituir o máximo do que eu já tinha antes de virar vegan, mas eu não acho que seja condenável usar uma blusa de lã que você recebeu de presente muito antes de pensar em boicotar matérias-primas de origem animal. Basta não divulgar o produto para evitar que o ciclo de exploração seja alimentado. Já em relação aos cosméticos, tudo o que eu uso é vegano, felizmente consegui substituir tudo, até porque eles têm um prazo de validade mais curto.

Qual é a uma fonte de informação segura para quem quer se tornar vegan?
Nutricionistas como a Paula Gandin, especializada em nutrição vegana, dão excelentes dicas nas redes sociais. O atleta Paru também é uma ótima referência, assim como a culinarista Alana Rox, do The Veggie Voice. Além do meu blog, existem dezenas de outros sites que trazem boas informações, como o Vista-se, o maior sobre veganismo no país, a SVB (Sociedade Vegetariana Brasileira) e além disso é possível baixar o e-book da ONG Mercy For Animals, que traz um guia completo de como adotar o estilo de vida vegano de maneira saudável e consciente.

Qual é seu restaurante ou prato vegano favorito em São Paulo?
Eu sou apaixonada por hambúrgueres. Em São Paulo, alguns dos meus locais favoritos para se comer um hambúrguer vegano delicioso é o foodtruck Vegano SP (no Calçadão Urbanoide, na Rua Augusta), o Jazz Restô e tem também o Prime Dog, cujos preços são muitos honestos.

Tem alguma receita vegana (doce ou salgada), fácil de fazer que você gostaria de compartilhar? E uma que você gostaria de aprender?
Outro dia no snapchat (me segue lá: @nyleferrari), fiz meu primeiro bolo de cenoura vegano e ele ficou incrível! A receita não é das mais saudáveis, mas ainda não consegui uma versão fit que realmente desse certo. Estou tentando!

Bom dia com bolo de cenoura vegano. 🍫🍮 A receita não é nada saudável, mas ainda quero adaptar pra uma versão melhor! – 1/2 xícara de chá de suco de laranja pêra – 3/4 xícara de óleo – 2 xícaras de farinha – 1 xícara de açúcar – 2 cenouras médias picadas – 1 colher de sopa de fermento químico – 1 pitada de sal Bate o óleo, a laranja, a cenoura e o açúcar no liquidificador até ficar bem homogêneo. Coloque essa mistura numa tigela e vá acrescentando a farinha (já peneirada) aos poucos e mexendo bem com um fouet. Depois de bater bem essa mistura à mão, por uns 10 min, vá acrescentando o fermento e mexendo bem demais, muito leve mesmo, em movimentos circulares de baixo pra cima. Coloque numa assadeira redonda, untada e enfarinhada, e asse no forno médio pré aquecido por 45 minutos. O tempo pode variar de acordo com cada forno! Não fique abrindo o forno se não sola, e também não fica olhando o bolo dentro do forno que de acordo com a minha mãe, também sola. Hahahaha Passado uns 40 min, espeta um palito ou garfo pra ver se não está cru por dentro, e se não sair molhado é só tirar, esperar esfriar e desenformar. A calda tem vários jeitos de fazer e receitas por aí, nesse caso eu só derreti chocolate meio amargo em barra e joguei por cima! 💚#vegan #vegancake #bolovegano #bolodecenoura

Uma foto publicada por Nyle Ferrari (@nyleferrari) em

Eu adoraria aprender uma receita de enroladinho de salsicha vegan empanado. Era um dos meus pratos prediletos da vida toda enquanto eu comia carne, mas não como há mais de 10 anos. Por favor, alguém me ajuda a realizar esse sonho! haha

 

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